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Varíola dos macacos: o que os pacientes oncológicos devem saber

Varíola dos macacos: o que os pacientes oncológicos devem saber

Com o avanço dos casos confirmados no Brasil de monkeypox, conhecida como varíola dos macacos, conversamos com o oncologista Abraão Dornellas, médico do Hospital Israelita Albert Einstein e integrante do Conselho Científico do Instituto Vencer o Câncer, para saber mais sobre a doença e as orientações aos pacientes oncológicos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, no último dia 25 de julho, que o atual surto de varíola dos macacos constitui uma ‘Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional’. A doença é causada pela infecção de um vírus e é endêmica em algumas regiões da África. “Esse já é um vírus conhecido, o vírus da varíola. A gente já sabe a fisiopatologia e como lidar melhor com essa doença. Portanto, esperamos que essa infecção cause danos menores em relação à covid-19”, afirma o oncologista. 

Existem basicamente duas cepas principais de monkeypox: a da Bacia do Congo e a da África Ocidental, sendo o segundo o tipo do atual surto. A doença é transmitida por contato, em especial com as feridas, fluidos corporais, gotículas ou até mesmo com objetos contaminados que tenham tido contato com a pele, inclusive por relação sexual. “O vírus fica incubado no corpo de 5 a 21 dias e os principais sintomas são a formação de erupções e nódulos dolorosos na pele, além de sintomas infecciosos inespecíficos como febre, calafrios, dor de cabeça, dores musculares e fraquezas. O diagnóstico pode ser firmado pela história clínica, análise e detecção do vírus no material das lesões cutâneas”, ressalta Dr. Abraão Dornellas.

O oncologista enfatiza: “as pessoas que estão infectadas vão precisar fazer isolamento de contato, sendo rapidamente identificadas para evitar a disseminação dessa doença. Esse período de isolamento pode ser um pouco mais prolongado, porque enquanto existirem lesões – mesmo que secas – a transmissão pode acontecer”. 

Um outro ponto muito importante para a proteção, segundo Dornellas, é a vacinação. “A varíola é uma doença que foi erradicada mais ou menos na década de 1980, mas existem cepas do vírus “guardadas” ao redor do mundo. Hoje há basicamente duas vacinas que estão sendo trabalhadas e comercializadas. E um ponto muito relevante é que a vacinação para monkeypox deve acontecer diferentemente da vacinação para covid. O que a gente sabe é que, na varíola, o indivíduo fica protegido sendo vacinado até quatro dias após o contato. Portanto, não deve ocorrer no Brasil uma imunização em massa da população. Devem ser priorizados os grupos de risco, principalmente profissionais de saúde, que vão ter contato com os casos, e populações imunocomprometidas. Os demais devem receber a vacina só em caso de contato até o quarto dia. Então, essa é a primeira diferença”.

Ele explica, ainda, que algumas vacinas estão sendo trabalhadas para a doença. Uma delas, fabricada por uma empresa americana chamada de ACAM2000, é produzida com o vírus vivo da varíola, que é capaz de ser replicar no corpo. O imunizante já foi aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA ou USFDA) – agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, mas as vacinas de vírus vivo podem causar infecção em indivíduos imunodeprimidos, como pacientes oncológicos em tratamento. Para estes pacientes, a prioridade deve ser a vacina Jynneos, produzida por uma empresa dinamarquesa, que contém um agente viral atenuado, com uma maior segurança para pessoas com câncer, por exemplo.

A previsão é que esta vacina chegue no Brasil em setembro, segundo o Ministério da Saúde. São recomendadas duas doses do imunizante. “Vão ser priorizados os pacientes que têm um comprometimento do sistema imune, em especial as pessoas que com o vírus HIV, e outras questões imunológicas, em especial os pacientes oncológicos em tratamento ativo. É claro que isso deverá ser discutido com o médico que cuida do paciente. Mas sim, os pacientes que têm câncer em atividade, em tratamento, têm uma debilidade do sistema imune e, portanto, estão mais suscetíveis às formas graves da doença e, provavelmente, terão a recomendação da vacinação”, acrescenta o médico.

O Ministério da Saúde já estuda expandir o número de laboratórios de testagem no Brasil, criar protocolos clínicos, protocolos de diretrizes, protocolo de manuseio dos pacientes e protocolo de estratégias de comunicação para a população brasileira sobre a doença.

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